Lutas
em casa, parentes contrários às nossas idéias – principalmente às idéias
espíritas – às vezes com tantos contratempos em nosso desfavor, foram os
assuntos que nos oculparam a atenção em nossa reunião. Muitos companheiros
opinando e muitos pareceres como que a se contradizerem. Seria justo deixá-los,
os familiares divergentes, entregues a si mesmos, pois não nos esposam os
pontos de vista? Seria melhor discutir com eles, lutar pela verdade? As trocas
de ideias entre nós seguiam esta linha, quando O Livro dos Espíritos nos deu à
meditação a questão 221. No término do nosso encontro, Emmanuel, com a
pontualidade de sempre, escreveu, mais sobre o tema de nossas conversações do
que sobre o tema do livro.
Descrentes
Queridos
Emmanuel
Comumente, somos defrontados pelos companheiros
marcados por incompreensões do grupo doméstico, em matéria religiosa.
Aceitam os princípios do Cristianismo Redivivo, que os entes amados
não admitem ainda.
Regozijam-se na certeza da sobrevivência, além da
morte; reconfortam-se no trato com amigos espirituais domiciliados no Mais
Além; edificam-se na ideia da reencarnação e compreendem os elevados misteres
da mediunidade, mas sofrem o antagonismo de seres estimáveis transitoriamente
incapazes de lhes compartilhar o mesmo nível de elevaçºão e progresso.
Se isso te ocorre na experiência diária, não
convertas a luz interior das convicções que te beneficiam em martelo que te
espanque a estrutura familiar, comprometendo-lhe a segurança.
Empenha-te em servir na lavoura da libertação quanto
possas; entretanto, se a fé que te orienta é motivo a desajustes crônicos, não
abandones os descrentes queridos, a pretexto de exaltar a Obra de Deus.
Maném o equilíbrio do lar, embora sem qualquer
servidão que te anule o pensamento livre, sustentando a tranquilidade dos que
te cercam e aplicando em casa, com discrição e silêncio, as lições que te
compõem a crença e baseiam os raciocínios.
Talvés não possas comungar, de imediato, as tarefas
renovadoras nas assembléias dos irmãos de trabalho, compromisso, mas podes
exercer o dom de crer e servir ao lado da equipe caseira que te pede prática e
testemunho.
País difíceis, em muitos casos, são credores
exigentes a te solicitarem o resgate de débitos passados em serviço de renunciação
permanente. Esposa e esposo, filhos e filhas, tanto quanto amigos e irmãos não
só por vezes te cobram dívidas que ficaram à distância, nas trilhas do espaço e
do tempo, como tambem quase sempre são criaturas, às quais prometeste
assitência e apoio, antes do berço terrestre, em forna de sacrifício pessoal
para se fazerem as criaturas providenciais que podem e devem ser.
Não menosprezes os familiares que a Lei Divina te
confiou.
Quanto puderes, auxilia-os na compreensão gradativa
da evolução e da vida.
Quando Jesus nos adverte a deixarmos os pais e os
entes amados para conseguirmos ser seus descípulos, não nos induzia a
abandoná-los e sim nos pedia renunciarmos à felicidade de ser por eles
compreendidos, de modo a amá-los, mais profundamente, qual Ele mesmo, o próprio
Cristo, nos ama e sempre nos amou.
Do Livro – Caminhos de Volta – 1ª Edição/1975
Autor – Francisco Cândico Xavier/Espíritos Diversos
Editora – Sociedade Civil Editora
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