quarta-feira, 20 de junho de 2012

Familiares Divergentes



                Lutas em casa, parentes contrários às nossas idéias – principalmente às idéias espíritas – às vezes com tantos contratempos em nosso desfavor, foram os assuntos que nos oculparam a atenção em nossa reunião. Muitos companheiros opinando e muitos pareceres como que a se contradizerem. Seria justo deixá-los, os familiares divergentes, entregues a si mesmos, pois não nos esposam os pontos de vista? Seria melhor discutir com eles, lutar pela verdade? As trocas de ideias entre nós seguiam esta linha, quando O Livro dos Espíritos nos deu à meditação a questão 221. No término do nosso encontro, Emmanuel, com a pontualidade de sempre, escreveu, mais sobre o tema de nossas conversações do que sobre o tema do livro.


Descrentes Queridos
                               Emmanuel

                Comumente, somos defrontados pelos companheiros marcados por incompreensões do grupo doméstico, em matéria religiosa.
                Aceitam os princípios  do Cristianismo Redivivo, que os entes amados não admitem ainda.
                Regozijam-se na certeza da sobrevivência, além da morte; reconfortam-se no trato com amigos espirituais domiciliados no Mais Além; edificam-se na ideia da reencarnação e compreendem os elevados misteres da mediunidade, mas sofrem o antagonismo de seres estimáveis transitoriamente incapazes de lhes compartilhar o mesmo nível de elevaçºão e progresso.
                Se isso te ocorre na experiência diária, não convertas a luz interior das convicções que te beneficiam em martelo que te espanque a estrutura familiar, comprometendo-lhe a segurança.
                Empenha-te em servir na lavoura da libertação quanto possas; entretanto, se a fé que te orienta é motivo a desajustes crônicos, não abandones os descrentes queridos, a pretexto de exaltar a Obra de Deus.
                Maném o equilíbrio do lar, embora sem qualquer servidão que te anule o pensamento livre, sustentando a tranquilidade dos que te cercam e aplicando em casa, com discrição e silêncio, as lições que te compõem a crença e baseiam os raciocínios.
                Talvés não possas comungar, de imediato, as tarefas renovadoras nas assembléias dos irmãos de trabalho, compromisso, mas podes exercer o dom de crer e servir ao lado da equipe caseira que te pede prática e testemunho.
                País difíceis, em muitos casos, são credores exigentes a te solicitarem o resgate de débitos passados em serviço de renunciação permanente. Esposa e esposo, filhos e filhas, tanto quanto amigos e irmãos não só por vezes te cobram dívidas que ficaram à distância, nas trilhas do espaço e do tempo, como tambem quase sempre são criaturas, às quais prometeste assitência e apoio, antes do berço terrestre, em forna de sacrifício pessoal para se fazerem as criaturas providenciais que podem e devem ser.
                Não menosprezes os familiares que a Lei Divina te confiou.
                Quanto puderes, auxilia-os na compreensão gradativa da evolução e da vida.
                Quando Jesus nos adverte a deixarmos os pais e os entes amados para conseguirmos ser seus descípulos, não nos induzia a abandoná-los e sim nos pedia renunciarmos à felicidade de ser por eles compreendidos, de modo a amá-los, mais profundamente, qual Ele mesmo, o próprio Cristo, nos ama e sempre nos amou.

Do Livro – Caminhos de Volta – 1ª Edição/1975
Autor – Francisco Cândico Xavier/Espíritos Diversos
Editora – Sociedade Civil Editora

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