Relata o evangelista Marcos, no capítulo 9º de suas
anotações, que um homem levou a Jesus seu filho, um menino que havia vários
anos era perseguido por um espírito obsessor que muito o fazia sofrer. O pobre
pai implorou ao Mestre que o libertasse.
- Tudo é possível ao que crê – afirmou Jesus.
- Senhor – respondeu o homem -, creio em ti! Ajuda-me
na minha incredulidade!
Suas palavras parecem contraditórias. Afinal, ou o
indivíduo crê ou não crê.
Mas, não há contradição. O que temos aqui é a
vigorosa figuração de uma realidade. Eternos aprendizes no caminho da
Espiritualidade Maior, surgem, frequentemente, em nossa existência, lutas e
dores, dificuldades e doenças que tentam nossa crença em Jesus, nas suas
promessas de proteção, ajuda e imortalidade gloriosa.
N o entanto, diante desses exames de aproveitamento
que ensejam valiosas oportunidades de resgates e progresso, vacilamos,
mergulhando, não raro, nas águas revoltas da intranquilidade e da frustração,
como se tudo estivesse perdido.
Semelhantes reações demostram, evidentemente, que
nossa fé é muito frágil e, assim como o pai aflito da passagem evangélica,
poderíamos, nesses transes, dizer: “Senhor, creio em ti! Ajuda-me na minha
incredulidade!”
A mesma expressão aplica-se particularmente às
pessoas dotadas de maior sensibilidade psíquica. Médiuns em potencial para
tarefas definidas no intercâmbio com o Além, experimenta, desde os primeiros
anos de existência, frequentes perturbações físicas e psíquicas que chegam a
alterar-lhes o próprio comportamento, transformando-as em angustiados e
angustiantes enigmas.
Vivendo intensamente em dois planos – o material e o
espiritual -, sem conhecimento e sem disciplina, sofrem e fazem sofrer os
familiares.
Em seu benefício nada pode fazer a medicina oficial,
primeiro porque a Mediunidade não é doença; segundo, porque, sendo
materialista, a ciência médica não cogita do Mundo Espiritual, fonte dos
fenômenos mediúnicos.
O mesmo acontece com relação às religiões
tradicionais, que, tendo a obrigação de conduzir o pensamento humano na direção
da Espiritualidade, perdem-se em rituais e práticas exteriores que impressionam
os sentidos, mas não resolvem os problemas da Alma.
E já que o Espiritismo revive a prática de conversar
com os mortos, mantida por Jesus durante seu apostolado, e por seus discípulos
no movimento inicial de expansão do Cristianismo, é natural que o médium
desajustado acabe por procurar o Centro Espírita, onde, a par do passe
magnético e da água efluviada – terapêutica também disseminada pelo Nazareno -,
recebe amplos esclarecimentos.
Aprende, então, a disciplinar sua mediunidade. E
aprende o mais importante: a necessidade de ajustar-se aos padrões éticos do
Evangelho, com o combate sistemático às próprias imperfeições, a fim de que,
sintonizando psiquicamente com o Bem, se livre de todas as influências do Mal,
onde estiver.
Todavia, não é fácil, porque, paralelamente ao seu
desejo de seguir a orientação que recebe, há a ação de velhos obsessores e
comparsas do plano invisível que, não querendo ver fugir a presa, exploram
habilmente suas tendências inferiores, buscando confundi-lo.
É quando se agravam seuas males e o médium se sente
pior, ao invés de melhorar. E eis que, embora advertido de que a luta seria
árdua, é só aumentar a pressão das sombras e ei-lo a apelar para médicos e
curandeiros, comprometendo a própria recuperação.
Continua a ver muita lógica nas definições espíritas,
mesmo porque sente na própria pele a realidade apresentada pela Doutrina, mas
vacila e acredita… desacreditando.
Isso é grave, pois a dúvida desajusta ainda mais e
dificulta qualquer auxílio. É imperioso que o médium tenha firmeza em suas
resoluções. Se decidiu aceitar a orientação espírita, deve observa-la
integralmente, sem amedrontar-se com o recrudescimento de seus males, nem
apelar para outros recursos que, talvez eficientes dentro de outras
finalidades, são inoperantes quando se trata do fenômeno mediúnico.
Para que esses percalços, naturais no caminho de
todos os médiuns, sejam superados, não se pode olvidar o estudo. As obras da
codificação e as complementares oferecem-nos visões magníficas da realidade
espiritual. Quem vê por onde anda, caminhará com maior segurança.
O treino da fraternidade apresenta-se, igualmente,
por atividade indispensável. Não se pode conceber o médium desinteressado de
serviços que visem ao bem-estar da coletividade, sejam orfanatos, berçários,
hospitais, creches, escolas, albergues ou clubes de serviço. Quem renuncia a si
mesmo, em favor dos outros, não tem tempo para ouvir as sugestões das sombras.
Diríamos, finalmente, que diante de todos os males da
existência, seja de origem material ou espiritual, a oração sincera dirigida a
Jesus, que exprima profundo desejo de comunhão como Alto, jamais ficará sem
resposta e sempre nos proporciona bênçãos de conforto e esperança, ainda que
possamos suplicar apenas:
- Senhor, creio em ti! Ajuda-me na minha
incredulidade.
Do Livro - Para Viver a Grande Mensagem
Autor - Richard Simonetti