terça-feira, 23 de abril de 2013

Crentes… Descrentes



                Relata o evangelista Marcos, no capítulo 9º de suas anotações, que um homem levou a Jesus seu filho, um menino que havia vários anos era perseguido por um espírito obsessor que muito o fazia sofrer. O pobre pai implorou ao Mestre que o libertasse.
                - Tudo é possível ao que crê – afirmou Jesus.
                - Senhor – respondeu o homem -, creio em ti! Ajuda-me na minha incredulidade!
                Suas palavras parecem contraditórias. Afinal, ou o indivíduo crê ou não crê.
                Mas, não há contradição. O que temos aqui é a vigorosa figuração de uma realidade. Eternos aprendizes no caminho da Espiritualidade Maior, surgem, frequentemente, em nossa existência, lutas e dores, dificuldades e doenças que tentam nossa crença em Jesus, nas suas promessas de proteção, ajuda e imortalidade gloriosa.
                N o entanto, diante desses exames de aproveitamento que ensejam valiosas oportunidades de resgates e progresso, vacilamos, mergulhando, não raro, nas águas revoltas da intranquilidade e da frustração, como se tudo estivesse perdido.
                Semelhantes reações demostram, evidentemente, que nossa fé é muito frágil e, assim como o pai aflito da passagem evangélica, poderíamos, nesses transes, dizer: “Senhor, creio em ti! Ajuda-me na minha incredulidade!”
                A mesma expressão aplica-se particularmente às pessoas dotadas de maior sensibilidade psíquica. Médiuns em potencial para tarefas definidas no intercâmbio com o Além, experimenta, desde os primeiros anos de existência, frequentes perturbações físicas e psíquicas que chegam a alterar-lhes o próprio comportamento, transformando-as em angustiados e angustiantes enigmas.
                Vivendo intensamente em dois planos – o material e o espiritual -, sem conhecimento e sem disciplina, sofrem e fazem sofrer os familiares.
                Em seu benefício nada pode fazer a medicina oficial, primeiro porque a Mediunidade não é doença; segundo, porque, sendo materialista, a ciência médica não cogita do Mundo Espiritual, fonte dos fenômenos mediúnicos.
                O mesmo acontece com relação às religiões tradicionais, que, tendo a obrigação de conduzir o pensamento humano na direção da Espiritualidade, perdem-se em rituais e práticas exteriores que impressionam os sentidos, mas não resolvem os problemas da Alma.
                E já que o Espiritismo revive a prática de conversar com os mortos, mantida por Jesus durante seu apostolado, e por seus discípulos no movimento inicial de expansão do Cristianismo, é natural que o médium desajustado acabe por procurar o Centro Espírita, onde, a par do passe magnético e da água efluviada – terapêutica também disseminada pelo Nazareno -, recebe amplos esclarecimentos.
                Aprende, então, a disciplinar sua mediunidade. E aprende o mais importante: a necessidade de ajustar-se aos padrões éticos do Evangelho, com o combate sistemático às próprias imperfeições, a fim de que, sintonizando psiquicamente com o Bem, se livre de todas as influências do Mal, onde estiver.
                Todavia, não é fácil, porque, paralelamente ao seu desejo de seguir a orientação que recebe, há a ação de velhos obsessores e comparsas do plano invisível que, não querendo ver fugir a presa, exploram habilmente suas tendências inferiores, buscando confundi-lo.
                É quando se agravam seuas males e o médium se sente pior, ao invés de melhorar. E eis que, embora advertido de que a luta seria árdua, é só aumentar a pressão das sombras e ei-lo a apelar para médicos e curandeiros, comprometendo a própria recuperação.
                Continua a ver muita lógica nas definições espíritas, mesmo porque sente na própria pele a realidade apresentada pela Doutrina, mas vacila e acredita… desacreditando.
                Isso é grave, pois a dúvida desajusta ainda mais e dificulta qualquer auxílio. É imperioso que o médium tenha firmeza em suas resoluções. Se decidiu aceitar a orientação espírita, deve observa-la integralmente, sem amedrontar-se com o recrudescimento de seus males, nem apelar para outros recursos que, talvez eficientes dentro de outras finalidades, são inoperantes quando se trata do fenômeno mediúnico.
                Para que esses percalços, naturais no caminho de todos os médiuns, sejam superados, não se pode olvidar o estudo. As obras da codificação e as complementares oferecem-nos visões magníficas da realidade espiritual. Quem vê por onde anda, caminhará com maior segurança.
                O treino da fraternidade apresenta-se, igualmente, por atividade indispensável. Não se pode conceber o médium desinteressado de serviços que visem ao bem-estar da coletividade, sejam orfanatos, berçários, hospitais, creches, escolas, albergues ou clubes de serviço. Quem renuncia a si mesmo, em favor dos outros, não tem tempo para ouvir as sugestões das sombras.
                Diríamos, finalmente, que diante de todos os males da existência, seja de origem material ou espiritual, a oração sincera dirigida a Jesus, que exprima profundo desejo de comunhão como Alto, jamais ficará sem resposta e sempre nos proporciona bênçãos de conforto e esperança, ainda que possamos suplicar apenas:
                - Senhor, creio em ti! Ajuda-me na minha incredulidade.

Do Livro - Para Viver a Grande Mensagem
Autor - Richard Simonetti