terça-feira, 17 de abril de 2012

HOMENAGEANDO O LIVRO DOS ESPÍRITOS


Cessaram, por fim, as lutas fratricidas, desencadeadas pela Revolução de 89 e as que o
Terror houvera insculpido em forma de marcas terríveis no organismo da sociedade, abrindo
espaço para o vandalismo que pretendera expulsar Deus da França...
Apesar disso, os direitos do homem surgiram das derrotadas ambições apaixonadas dos
grupos hostis, fazendo tremular nos altiplanos do pensamento a mensagem de esperança para as
criaturas.
As tubas guerreiras também silenciaram por um momento, quando o Corso se fez coroar
imperador, na Catedral de Notre-Dame, no dia 2 de dezembro de 1804, ao som comovido do coral
de duzentas vozes que entoava Pompa e circunstância, especialmente composta para a festividade,
à qual comparecera o Papa Pio VII.
O século das luzes raiava então sob claridades diamantinas e as hostes do Consolador
utilizaram-se da ocasião, a fim de que mergulhassem na névoa carnal os Espíritos de escol,
encarregados de resgatar o progresso da Humanidade e de promover a felicidade dos seres.
Dois meses antes, no silêncio natural que a trégua das belicosidades facultara, reencarnou-se o mártir de Constança, que retornava das cinzas da fogueira hedionda em que tivera o corpo
consumido em 1415, para instaurar a Era Nova, nas roupagens de Allan Kardec.
Cientistas destinados a desalgemar as pesquisas dos rigores da escravidão religiosa; filósofos designados para ampliar as áreas do pensamento obscurecido pela ignorância; artistas com
propósitos de estabelecer o romantismo, e mais tarde quebrarem as frias linhas do rígido
academicismo; religiosos enobrecidos pelo exemplo, incumbidos de libertar o Cristianismo das
aberrações dogmáticas; fisiologistas e psiquiatras com domínio do conhecimento mais profundo do
ser, programados para desempenhos da sua dignificação como da diminuição dos seus sofrimentos;
investigadores da vida nas suas várias expressões, com tarefas de decifrar o microcosmo e a vida
bacteriana, assim como outros heróis da evolução, desceram ao círculo de sombras do mundo, para
preparar e estabelecer a Nova Era, na qual o pensamento do Cristo penetraria a razão e se firmaria
na conduta dos indivíduos, facultando o surgimento de uma Ciência de observação, cujos
paradigmas especiais estabeleceriam uma Filosofia de comportamento moral e religioso compatível com o desenvolvimento intelectual do ser humano e da sociedade.
Nesse campo rico de sementes de luz, que germinavam em abençoada seara, Allan Kardec
apresentou O Livro dos Espíritos, no dia 18 de Abril de 1857.
Na Paris de então, quando as idéias surgiam pela alvorada, amadureciam ao meio-dia e
feneciam ao entardecer, o conteúdo desse livro magistral fincou bases duradouras e enfrentou os
aranzéis costumeiros, permanecendo irretocável pelos tempos do porvir.
Apresentando, por primeira vez, uma fé racional, que pode enfrentar a razão em todas as
épocas da Humanidade, portanto, legítima, os seus ensinamentos têm a ver com os mais diferentes
ramos da Ciência, propondo uma nobre Filosofia espiritualista, rica de otimismo e bem-estar, cujos
alicerces se fundam na ética-moral proposta por Jesus.
Enquanto desvitalizadas, as doutrinas religiosas do passado ofereceram seiva ao materialismo que trombeteava as suas vanglórias embora de curta duração, o Espiritismo veio para iluminar e acalmar as consciências em sombras e tormentos, propondo o modelo do homem de bem, ideal, que se faz construir com os equipamentos do amor, do conhecimento e da experiência em torno da própria imortalidade.
Estudando Deus e o Infinito, a matéria e o Espírito, a Criação, o princípio vital, as causas dos
sofrimentos, a encarnação, a desencarnação e a reencarnação, aprofunda análise em torno do
intercâmbio espiritual, dos fenômenos que dizem respeito ao sonambulismo e ao êxtase, ao sono e
aos sonhos, às Leis que regem a vida, às esperanças e consolações, revelando-se como a maior
síntese do pensamento a respeito do Universo, da vida, dos seres e da sua evolução, causando
impacto cultural e firmando novos conceitos nas páginas vivas da História, marco decisivo para a
transformação que começou a operar-se no planeta terrestre.
Antes desse livro incomum, obras demarcatórias dos períodos de cultura, ética e civilização
abriram espaços especiais para o pensamento.
Reconhecendo-lhes o valor e a oportunidade quando foram apresentadas, O Livro dos
Espíritos é a ponte entre o passado e o futuro, num ininterrupto presente, no qual o conhecimento
em evolução encontra as causas que o explicam nas várias expressões em que se revela.
Avançando com o progresso, suas lições não foram ultrapassadas, antes têm sido
confirmadas em profundidade e significado, preenchendo as lacunas existentes a respeito da
causalidade do Universo e da Criação.
Linha mestra da Doutrina Espírita, dele se derivam as quatro outras Obras que formam o
edifício cultural do Espiritismo, tornando-se fonte inexaurível de sabedoria e de conforto, dantes
jamais encontrada em algum outro conhecido.
Na atualidade, cento e cinquenta e cinco anos transcorridos, após acompanhar a evolução da Física newtoniana para nuclear e quântica; da Biologia para a exuberante Embriogenia; da nascente
eletricidade para a eletrônica; da Química para as extraordinárias análises radioativas; dos
fenômenos psíquicos para os parapsicológicos, psicobiofísicos, psicotrônicos e da transcomunicação
instrumental; das viagens de tração animal, a motor de explosão para as conquistas da astronáutica;
do telégrafo a fio para as telecomunicações; do fonógrafo incipiente para as técnicas da digitação,
somente têm sido confirmadas suas teses, algumas das quais ínsitas nas suas páginas com admirável
antecedência e precisão...
Enfrentando as teorias de Charles Darwin, de Spencer, de Russel Wallace - que se tornou
espírita -, de Schopenhauer, de Nietzsche, de Kant, do marxismo, do niilismo, as hecatombes das
duas guerras mundiais, a decadência da fé religiosa, tem sustentado o seu arquipélago doutrinário
com equilíbrio, deslumbrando as mentes de ontem como as de hoje pela força das suas
conceituações e exatidão dos seus postulados, engrandecendo-se mais ainda ao exaltar Jesus como o guia e modelo da Humanidade, o ser mais perfeito que Deus ofereceu ao homem.
Profundamente agradecido a Allan Kardec, o eminente Codificador do Espiritismo,
homenageamos O Livro dos Espíritos pelo transcurso do seu centésimo quinquagésimo quinto aniversário de publicação, exorando as bênçãos de Deus para que o seu fanal seja alcançado, qual o de construir o homem feliz do futuro, livre da dor e das paixões envilecedoras.

                                                                                                                                                       VIANNA DE CARVALHO
__________
(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, em 3-2-1997, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador - BA.)

1 comentário:

  1. O Livro dos Espíritos bem como todas as obras que Allan Kardec nos deixou, vieram aprimorar o que o Nosso Amado Mestre Jesus nos tinha deixado com exemplos vivos na Sua vida.Aprimoremos os nossos conhecimentos ao ler toda a obra da Codificação e, acima de tudo, pratiquemos o que os Espíritos nos disseram na obra "O Livro dos Espíritos", ou seja: há vida para além desta que estamos a viver; esta vida é só uma passagem e existem mundos muito mais evoluídos do que aquele onde vivemos. Vivamos na plenitude, com amor, paz, caridade e acima de tudo muita Fé e Deus Pai e Seu Filho amado Jesus nunca nos desampararão.

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