Pequeno histórico sobre a escrita e edição do primeiro Livro dos Espíritos.
Muitos espíritas ainda não sabem que "O Livro dos Espíritos" - completando nesse ano de 2012, em 18 de abril, 155 anos de sua formulação, o primeiro da codificação de Allan Kardec - foi composto basicamente de forma surpreendente por duas jovens irmãs, médiuns psicografantes, as meninas Caroline Baudin, de 18 anos e Julie Baudin, de apenas 15 anos.
O método de psicografia indireta não poderia ter sido mais rudimentar. Foi dentro deste contexto histórico que o codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, encontrou um ex-companheiro de fé, um espírito desencarnado que se identificou simplesmente como Zéfiro. É que o codificador do Espiritismo fora sacerdote de uma antiga filosofia denominada Druída, agora em novo renascimento, na França, sob o nome de Hippolyte Leon Denizard Rivail.
Em 2004, por ocasião do 4º Congresso Espírita Mundial, realizado na capital da França, o médium Raul Teixeira psicografou mensagem dele que homenageou o codificador. Naquela oportunidade, disse Canuto Abreu: “Allan Kardec veio ao Planeta para representar no campo físico a Equipe Luminosa do Espírito da Verdade, que jorrava claridade sobre o orbe sob a ação venturosa do Cristo Excelso”.
A história do "Livro":
Consta que a família Baudin - Émile-Charles, Clémentine e as filhas Caroline e Julie - costumava fazer reuniões espíritas em seu lar quando ainda residia na Ilha da Reunião, uma colônia francesa, que surgiu do mar há três milhões de anos, graças à força de dois vulcões, na costa oriental da África, pertencente à França desde 1638. As reuniões espíritas dessa família na Ilha passaram a ser dirigidas por um Espírito, que se apresentou como seu Guia Espiritual. Quando lhe indagaram o nome, o visitante espiritual respondeu: “Sou o Zéfiro da verdade. Chamem-me por este nome” (Zéphyr). Zéfiro é o nome do vento do oeste na Costa Marítima e é também tido como uma brisa suave, sendo filho de Eos (deusa do amanhecer) e Astreu (um dos três personagens da mitologia grega). Zéfiro houvera esposado Íris e seus irmãos foram Bóreas, Noto e Euro.
Certa noite, Zérifo previu que a aquela família mudaria brevemente para Paris: “Lá, procurarei manter contato com um velho amigo e chefe, desde o nosso tempo de Druídas”. Nessa época, os Baudin não vislumbravam, nem de longe, a possibilidade de morar na França. No entanto, não demorou muito, veio uma crise no comércio do café e do açúcar, principais produtos das atividades agrícolas e comerciais da família, que, por essa razão, foi obrigada a mudar para a França, em 1855. Canuto Abreu conta que as reuniões mediúnicas continuaram em Paris. Zéfiro riscava suas respostas às perguntas da família Baudin e convidados.
Numa certa noite, o senhor Denizard Rivail e sua esposa Amelie Boudet, aceitaram o convite para participar de uma reunião espírita na casa da família Baudin. Presente naquela reunião o Espírito Zéfiro, Rivail foi por ele saldado de uma forma que ninguém inicialmente entendera: “Salve, caro Pontífice, três vezes salve!” Sem compreender o sentido daquela aparentemente bizarra saudação, os assistentes deliciaram-se em boas gargalhadas. “Pontífice?!...” Monsieur Baudin, sentia-se constrangido, não entendia o ocorrido e tentou atribuir ao caráter espirituoso de Zéfiro aquela possível brincadeira.
Mas o fato é que Rivail aceitou a descontração e devolveu:” “ minha bênção apostólica, meu filho”. E o pequeno público assistente novamente caiu em boas gargalhadas.
Mas o Espírito Zéfiro logo interviria para por fim à zombaria e ao constrangimento, explicando que Rivail houvera sido um alto sacerdote Druída, com o nome de Allan Kardec, ao tempo de Julio César, na antiga Gália, hoje França, nos anos 50 antes de Cristo. E que ele, Zéfiro, fora contemporâneo de Rivail em encarnação daqueles idos tempos. (os Druídas eram juízes, filósofos, professores, enfim personalidades respeitadíssimas e de altas funções na sociedade de etnia Celta, um povo guerreiro que acabou dominado pelo Imperador romano Julio César, depois de uma bárbara invasão do território celta. Os sacerdotes druídas professavam uma filosofia ocultista, passada oralmente de uns para outros, sem qualquer registro escrito. Por isso, muito pouco se sabe sobre eles).
Iniciaria-se, ali naquela reunião descontraída da família Baudin, um novo tempo de conhecimento para a Humanidade, “uma nova aurora”, como mais tarde anunciaria o famoso astrônomo amigo de Kardec, Camille Flammarion, uma Doutrina inovadora e reveladora, fincada num tripé até então inédito: a Religião, a Filosofia e a Ciência.
A partir daquele encontro de Zéfiro com Rivail, seriam fornecidas as primeiras respostas de "O Livro dos Espíritos". E as personagens mediúnicas escolhidas para a psicografia seriam justamente as jovens e pueris meninas, filhas do casal Baudin, Caroline e Julie, aquela com 18 anos e esta com apenas 15 anos. Aquelas duas meninas, com certeza sem qualquer preparo intelectual para desenvolver uma nova filosofia dessa superior magnitude, foi a ponte que o Além encontrou para fazer chegar ao Planeta o primeiro livro da Doutrina inaugurada por Allan Kardec.
Em 18 de abril de 1857, Kardec estaciona uma carruagem, com 1200 volumes de "O Livro dos Espíritos", destinados à Livraria Dentu
Concluída a edição primeira de "O Livro dos Espíritos", numa bela manhã de sábado de primavera, Kardec sai de sua residência, em Paris, na Rue des Martyrs, número 8, segundo andar, com 1200 volumes da obra.
O meio de transporte era uma carruagem. Ele se detém na Rue Montpensier, em frente à Galeria d’Orleans, no Palais Royal , para alcançar a Livraria Dentu, da viúva madame Mélanie Dentu. Silvino Canuto complementa a descrição da cena: “o ajudante de cocheiro, trajando uniforme cinzento, amarrotado e sujo, saltou da boléia e dirigiu-se à Livraria”. Esperava por Kardec e sua obra, além da proprietária da Livraria, um Gerente da loja identificado apenas pelo nome de Clément, que leu a nota de entrega remetida pela Tipografia De Beau e ordenou o desembarque dos livros. À tarde, Kardec volta à Livraria e constata que mais de meia centena de exemplares já haviam sido vendidos ao preço de 3 francos por unidade, preço que, segundo consta, ele achou inicialmente caro, mas foi convencido por madame Dentu de que estava de acordo com o mercado.
O título original do livro "Religião dos Espíritos” – fora prudentemente modificado pelo codificador para “O Livro dos Espíritos”, primeiramente porque ele temia que a censura implicasse com o primeiro nome e também para que o leitor identificasse na obra um livro escrito pelos Espíritos. Na noite do dia 18 de abril de 1857 em que foi lançado "O Livro dos Espíritos", madame Rivail (Amélie-Gabrielle de Lacombe Boudet Rivail) – Gaby na intimidade – já se houvera recolhido aos aposentos do casal. Kardec, entretanto, foi para o escritório de sua residência e sentou-se à escrivaninha de carvalho, sob a luz bruxuleante de uma vela. Pegou seu caderno de memórias e anotou, conforme o relato de Canuto Abreu: “Mais de cem exemplares de "O Livro dos Espíritos" já se foram neste primeiro dia, doados ou vendidos. Cada volume será um grão de vida nova lançado ao coração de um homem velho. Se algumas sementes caírem em corações maduros haverá, por certo, gloriosas ressurreições. Mil e duzentas sementes da Verdade serão lançadas no terreno da opinião. Se uma só frondejar, nosso esforço não terá sido em vão." E conclui o codificador, segundo a confiável informação histórica do confrade paulista: “O Livro de hoje não é senão a primeira página da religião do futuro. À medida que o meio e o desenvolvimento da Idéia Nova o permitam. Operar-se-á lentamente lutando com adversidades poderosas, pisada aqui, adulterada acolá, esmagada num ponto, ressuscitada noutro, criticada por muitos, defendida por poucos, atraiçoada dentro de seus próprios muros pelos fracos a serviço das Trevas”. Nascia, assim, a Doutrina Espírita, uma nova luz para a Humanidade. Com Jesus e por Jesus!
Informações obtidas do site: http://www.jornaldosespiritos.com/2008/alem(3).htm
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